O que é Parapsicologia?

parapsicologia

A Parapsicologia não é apenas uma coisa mas uma palavra utilizada para denominar várias coisas, diferentes e até opostas. Em sua origem está o propósito de investigar os eventos que transcendem (para, do Grego, “além de”) aqueles conhecidos ou explicados pela Psicologia. Definições mais atuais falam da Parapsicologia como o campo dedicado ao estudo dos fenômenos e experiências que não conseguem ser explicadas adequadamente pela forma atual como compreendemos o mundo e a mente humana.

Em futuros artigos falarei um pouco sobre a história deste campo, as definições antigas e atuais, e os vários rumos ou “várias Parapsicologias” que podemos encontrar hoje mas, por enquanto, explicarei o assunto a partir da abordagem com a qual tenho mais afinidade e experiência. Segundo esta vertente, a Parapsicologia se debruça sobre o domínio dos fenômenos psi e sobre as hipóteses da imortalidade do espírito.

Os fenômenos psi

Psi é uma letra grega (Ψ) e também a inicial de “psiquê” (mente). Passou a ser utilizada a partir da década de 1940 para se referir aos fenômenos de percepção extrassensorial e psicocinese. Mas não se assuste com esses termos! É mais fácil de entender do que parece:

    • Percepções extrassensoriais: percepções são as formas como o ser humano identifica informações vindas do mundo exterior. Tradicionalmente percebemos o mundo através dos nossos sentidos básicos (audição, visão, tato, paladar, olfato etc). Estas são as percepções sensoriais. Muitas vezes elas nem são percebidas em um nível consciente, mas de maneira subconsciente (por exemplo: as mensagens subliminares, os feromônios, as microexpressões faciais). Mas há também um conjunto de informações que captamos por meios ainda desconhecidos e muito difíceis de serem explicados. Por isso, estas percepções são chamadas de extrassensoriais e são divididas em 3 tipos básicos:
      1. Clarividência: é a percepção de determinada informação, no presente, do mundo exterior, sem auxílio dos sentidos humanos conhecidos. Popularmente chamada de intuição, sexto sentido etc.
      2. Telepatia: é a percepção de determinada informação, no presente, vinda de outra pessoa, também sem auxílio dos sentidos conhecidos. A popular “transmissão de pensamento”.
      3. Precognição: é a percepção de informação de evento futuro, ainda não ocorrido. Popularmente conhecida como “premonição”.
Percepções extrassensoriais

Percepções extrassensoriais

  • Psicocinese: ação (cinese, “movimento”) da mente (psique). Em outras palavras, ação da mente sobre a matéria (mundo exterior, mundo objetivo). Conheça as subdivisões da psicocinese clicando neste link.
Psicocinese

Psicocinese

Nas ilustrações acima, os eventos parapsicológicos foram divididos entre fenômenos de percepção de informação (ilustrados em vermelho) e fenômenos de alteração do ambiente (ilustrados em azul). Esta é uma divisão didática e intuitiva das duas maneiras como a mente interage com o mundo ao seu redor, para facilitar a memorização dos tipos de fenômenos principais que interessam à Parapsicologia.

Ainda falta falar sobre as hipóteses de sobrevivência. Confira no post a seguir clicando aqui.


E você, já ouviu relatos, presenciou ou vivenciou experiências como estas? Já percebeu eventos que aconteceram a distância, ou no futuro, ou na mente de outra pessoa, sem saber como isso aconteceu? Ja influenciou a matéria com a força consciente ou inconsciente da própria mente? Conte-nos seus relatos ou deixe suas dúvidas e opiniões nos comentários abaixo.


Resumo:

A Parapsicologia se ocupa, principalmente, dos fenômenos de percepção extrassensorial (que não envolvem os sentidos físicos conhecidos) e psicocinese (influência da mente sobre o mundo externo). Os fenômenos de percepção extrassensorial podem ser divididos em clarividência (percepção de informação presente), telepatia (percepção de informação cuja fonte é outra mente) e precognição (percepção de informação que acontecerá no futuro).


Última atualização: 8 jul 2016
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3 comentários

  • O artigo é interessante e, para o desconhecedor do que seja parapsicologia, dá informações esclarecedoras. Algumas PARTES precisariam ser melhor elucidadas. Destaco as principais.
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    “A Parapsicologia não é apenas uma coisa mas uma palavra utilizada para denominar várias coisas, diferentes e até opostas.”
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    Fiquei curioso a respeito das “coisas opostas” que seriam abrangidas pelo termo “parapsicologia”, quais seriam?
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    “Definições mais atuais falam da Parapsicologia como o campo dedicado ao estudo dos fenômenos e experiências que não conseguem ser explicadas adequadamente pela forma atual como compreendemos o mundo e a mente humana.”
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    E qual seria a “forma atual” como compreendemos o mundo e a mente? O mundo e a mente são compreendidos de maneiras distintas, a depender do campo de conhecimento envolvido. As religiões compreendem o mundo diversamente entre si e todas diferentemente de como o vê a ciência. Se adentrarmos na filosofia encontraremos concepções diversificadas de como seja o cosmo.
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    É possível que os fenômenos paranormais (admitindo-se, para reflexão, que existam) sejam difíceis de ser explicados quer pela ciência, religião, ou pela filosofia. Assim se faria necessário ciência específica para estudá-los, e esta é a parapsicologia, ou pesquisa psi. Por outro lado não é descartável que o que se considera categoria especial de fenômenos seja, em verdade, conjugação de eventos atípicos, os quais dão a impressão de serem algo além do trivial. A resposta para a dúvida quem deveria dá-la seria justamente a parapsicologia.
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    Talvez a resposta foi dada, embora implicitamente. Sim, porque após mais de século de experiências e pesquisas muito pouco, quase nada, de concreto se obteve. Parece que quanto mais se investiga mais a “força” mingua. Deveras, se compararmos as alegações dos pioneiros, que atestavam a existência de habilidades especiais, a ocorrer corriqueiramente, de forma controlada por seus possuidores, e com manifestação expressiva, com o que as investigações modernas obtém, ou seja, vagos indícios de que algo diferente possa estar ocorrendo, teremos razões suficientes para questionar a realidade do paranormal.
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    Certa vez, participando num grupo que discutia alegações de paranormalidade, cunhei proposição a que denominei “conjetura de Moi”, a qual assim se expressa:
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    “Psi, caso exista, é “força” de ocorrência esporádica, de manifestação tênue, sem controle por parte de quem supostamente a possui, e sem utilidade conhecida.”
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    Note que a conjetura não descarta apriori a realidade de psi, tampouco a acata, deixa no ar a dúvida. Observe-se ainda que “força” aparece entre aspas, isso porque se realmente houver o que se possa denominar paranormalidade será preciso definir do que se trata: se realmente uma nova força, conforme pensavam os investigadores de antanho, ou outra coisa.
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    De início a conjetura foi proposta mais como brincadeira, depois percebi que calçava sob medida em quaisquer reinvidicações do paranormal. Quem quiser fazer o teste pode tentar e chegará a igual conclusão. Em outras palavra, a conjetura de Moi abrange inteiramente o atual estádio das pesquisas.
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    As únicas situações não contempladas são aquelas constituídas por certezas dogmáticas, da parte de alguns estudiosos, de que psi seja realidade inconteste, e a ingênua convicção de que existam indivíduos dotados de poderes paranormais expressivos, sobre os quais têm inteiro controle e os podem manifestar quando bem entendem. Como exemplo desses temos: Uri Geller, Sean Harribance, Amir Amyden, Thomas Green Morton…
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    “Tradicionalmente PERCEBEMOS o mundo através dos nossos sentidos básicos (audição, visão, tato, paladar, olfato etc).”
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    Conquanto não esteja propriamente errado dizer que “percebemos” o mundo por meio dos sentidos, em texto que pretenda um mínimo de rigor técnico, o ideal seria pontificar que recebemos “sensações” ou “impressões” por intermédio dos sentidos: percepção vem após o estímulo sensorial e ocorre na massa cerebral. Os ouvidos captam ondas sonoras, mas quem as interpreta (percepciona) é o cérebro, da mesma maneira com a visão, olfato…
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    “Clarividência: é a percepção de determinada informação, no presente, do mundo exterior, sem auxílio dos sentidos humanos conhecidos. Popularmente chamada de intuição, sexto sentido etc.”
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    Sexto sentido é expressão popularesca, que designa um monte de coisas, o que inclui considerações místicas, e também a intuição e a clarividência. Entretanto intuição e clarividência não devem ser tecnicamente confundidas. Intuição é percepção direta de algum evento, gerada a partir de dados armazenados na memória conjugados com informes captados recentemente. O cérebro trabalha continuamente em segundo plano, agregando informações trazidas pelos sentidos e as classificando numa espécie de banco de dados, ao qual a consciência tem acesso quando necessita. Nesse processamento podem ocorrer “flashes” perceptivos que afloram subitamente ao nível consciencial, isto é intuição.
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    Até parapsicólogos, desavisadamente, confundem intuição com clarividência.
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    Clarividência equivale a obter informação de fonte externa, sem a captação comum da parte dos sentidos. Exemplos: posta-se diante do sensitivo envelope opaco e lacrado, e ele identifica o conteúdo; o sujeito descobre paranormalmente onde está enterrado um tesouro, ou relíquia; a pessoa sonha com desastre que efetivamente ocorre posteriormente.
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    Em exame superficial intuição e clarividência se confundem, mas só superficialmente. Além disso, a existência de insights intuitivos é inegável, já a clarividência é apenas hipótese a ser confirmada por testagens, quantas suficientes para prover segura conclusão , o que ainda não aconteceu (apesar de sempre haver quem garanta que sim).
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    Feitas essas ressalvas, o artigo constitui boa contribuição para quem queira se inteirar do assunto.

    • Flávio Amaral

      Obrigado Moi, os detalhamentos e questionamentos trazidos por você são importantes para quem buscar se aprofundar no assunto. Espero poder refletir sobre alguns desses pontos futuramente.
      Sober a primeira questão, estou escrevendo algo sobre as “várias” parapsicologias, a ser publicado oportunamente. A Dra. Fátima Regina Machado falou sobre a Parapsicologia “entre a Cruz e a Mesa Branca”, no Brasil. Talvez você conheça. Sendo um campo não regulamentado por orgãos profissionais, ela acaba sendo apropriada de maneiras bastante livres, heterodoxas e mesmo opostas. No Brasil ela mesclou-se principalmente a duas correntes – a católica (“quevediana” em especial) e a espírita. Elas conversam mas também concorrem e brigam. E no campo acadêmico, por não fazer parte de grades curriculares, a Parapsicologia permeia outras áreas, de maneira que os periódicos específicos sobre esta disciplina contam com uma participação interdisciplinar muito grande e maior do que o comum. Encontramos artigos de físicos, antropólogos, filósofos, psicólogos, biólogos, no mesmo periódico. Esta heterogeneidade tem vantagens e desvantagens. Cada um acaba inventando maneiras próprias de se fazer parapsic. Por isso menciono de passagem que ela é um “domínio” que permeia várias áreas, e não tanto uma “disciplina”, no sentido de um corpo curricular estruturado, como as disciplinas acadêmicas tradicionais.

      • Valeu, Flávio, pela resposta. Conheço os artigos do Interpsi, incluindo o que citou. Em minha opinião, no Brasil é o que publica textos melhor embasados. Desejo-lhe sorte nas pesquisas e estudos, espero que nos brinde com novos artigos sobre essa temática complexa. Sua forma de expor o assunto é leve e facilita a leitura, tanto por leigos quanto por quem conhece um pouquinho mais. Sucesso.

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