Pesquisas com Sean Harribance

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Introdução

brian williams

Brian Williams

Este artigo sintetiza o capítulo “Empirical Examinations of the Reported Abilities of a Psychic Claimant: A Review of Experiments and Explorations with Sean Harribance”,1 escrito por Brian J. Williams em Evidence for Psi: Thirteen Empirical Research Reports, livro organizado por Damien Broderick e Ben Goertzel (McFarland & Co, 2015). Williams sintetiza o resultado dos experimentos realizados entre 1969 e 2002 com o médium Sean Lalsingh Harribance, envolvendo 17 pesquisadores principais e quatro instituições.

Dos 18 experimentos realizados neste período com detalhamento suficiente para permitir análise de dados, 12 chegaram a resultados significativos (chances acima de 20 para 1 ou p<0,05, na linguagem estatística; quatro encontraram valores menores do que 10^-10). No artigo, Williams ainda toma o cuidado para detalhar o design dos experimentos e as formas de controle contra vazamentos de informação, entre outros – pontos sempre insistidos por céticos mais radicais que, antes de estudarem o experimento, já concluem que “algo deve estar errado”. O resultado do estudo também fornece pistas sobre o funcionamento diferenciado de certas áreas cerebrais de Harribance, e a maior frequência de ondas de padrão alfa nos ensaios em que ele pontuava acima do esperado por acaso – achados estes que coadunam com estudos de outros médiuns e paranormais.

sean harribance

Sean Harribance

Lalsingh Harribance nasceu em 1939 na Ilha Trinidad. Criado por família de tradição hindu, mas frequentando escola cristã, converteu-se ao Cristianismo no início da vida adulta, adotando Sean como nome de batismo. Trabalhou em campos de petróleo e como cobrador de ônibus, até que Richard Jackman, editor do jornal The Trinidad Guardian, interessou-se em suas habilidades premonitórias. Jackman apresentou-o ao psicólogo Hamlyn Dukhan, o primeiro a proceder com testes científicos, publicados ao final da década de 1960. Os resultados o levaram ao interesse de pesquisadores como J. B. Rhine e William G. Roll. Até o presente, 51 artigos foram apresentados em periódicos científicos com resultados de experimentos realizados com Harribance. Sean Harribance vive, desde 1980, em Houston, e ganha a vida com suas previsões. Em 1995, fundou o Instituto Sean Harribance para Pesquisa em Parapsicologia.2 A seguir, apresentaremos didaticamente, conforme Williams, os resultados dos testes realizados naquela época com Sean Harribance (de agora em diante será utilizada a sigla SH, por motivo de concisão):

Testes com cartas ESP

cartas zenerNesse tipo de teste, de modo geral, o médium é solicitado a adivinhar qual tipo de carta é escolhida, em um baralho padrão de percepção extrassensorial (PES ou ESP, também chamado de baralho Zener). Diversos tipos de exercício são projetados com essas cartas, basicamente para testar a produção dos fenômenos de clarividência, telepatia e precognição.

Hamlyn Dukhan

Nos testes de Dukhan (1968 e 1969), em 450 tentativas, SH obteve uma taxa de acerto geral de 24,88%, enquanto o esperado era de 20%, quantificando chances de aproximadamente 100 para um contra o acaso. Nos testes seguintes realizados em sua primeira visita à Foundation for Research of the Nature of Man (FRNM), nos EUA, em 1969, seus acertos procederam conforme o esperado pelo acaso.

Psychical Research Foundation (PRF)

prf

PRF

Em 1970 e 1971, a PRF conduziu cinco testes. No primeiro, totalizando 1.000 rodadas de tentativas, com cartões lacrados em envelopes. Nestes, SH obteve uma taxa de acerto calculada em mais de um trilhão para 1 contra o esperado pelo acaso. No segundo, o acerto foi de 20 para 1 contra o acaso. No terceiro teste, SH teve suas ondas cerebrais monitoradas, e os resultados sucederam conforme o esperado pelo acaso. Nos últimos dois testes, ao invés da adivinhação no presente (clarividência ou telepatia), SH precisaria prever o resultado das cartas antes de serem embaralhadas através de sequências semi-aleatórias (precognição). Os resultados do primeiro teste ocorreram conforme o esperado pelo acaso e, do segundo, com uma taxa de acerto de 20 para 1 contra o acaso na primeira metade, e conforme o acaso na segunda metade.

Foundation for Research of the Nature of Man (FRNM)3

rhine logo

FRNM/Rhine

Em 1973, SH participou de novos experimentos com cartas na FRNM, obtendo 1.902 acertos em 9.000 tentativas, uma taxa de acerto de 21,13%, cuja chance de ocorrer por acaso é de um contra 140. Um teste semelhante foi conduzido 25 anos depois, nos quais SH teve uma taxa de acerto não significativa abaixo do acaso (19,08%, em 1.499 tentativas).

No ano seguinte, 1974, seriam feitos sete testes com modalidades de embaralhamento e adivinhação. Ao longo das 28.500 tentativas totais, Harribance acertou 3.427 vezes, o que excede o esperado pelo acaso em chances de 10 octilhões para um.

Testes com Respostas a Pessoas

Tratam-se de testes onde, basicamente, SH precisava “ler” características de pessoas através do contato com suas fotos (ocultas dentro de envelopes), tais como adivinhar o sexo ou informar o que lhe vinha à mente. Depois de transcritas, as características eram retornadas às pessoas reais que tentariam apontar quais depoimentos mais se assemelhavam a elas.

FRNM

Ao longo de 4 dias em que foi solicitado a adivinhar o sexo de pessoas, através de fotos envelopadas, SH pontuou 285 vezes em 480 tentativas, um acerto com chances de 25.250 contra 1 de ocorrer por acaso. O teste foi, em seguida, replicado por outros três pesquisadores, totalizando 1.239 tentativas e 739 acertos, uma chance de 70 bilhões para 1 de ocorrer por acaso.

PRF

De 1969 a 1971 a PRF conduziu teste da mesma natureza. Ao total, foram 10 séries, totalizando 3.584 acertos em 5.890 tentativas, uma taxa muito acima dos 50% esperados por acaso, estimada na faixa de 100 quindecilhões (p<<10^-50) contra 1 de ocorrer por mero acaso. Em outro tipo de teste, onde SH precisaria fazer adivinhações sobre a biografia das pessoas fotografadas, a taxa de acerto foi também significativa, de 50 para um contra o acaso.

Teste de Psicocinese (PK)

Estes testes se dividem em três tipos, basicamente, onde SH precisaria influenciar resultados de eventos físicos através de sua concentração mental. Em um tipo, ele precisaria influenciar o resultado de jogos de dados. No segundo tipo, era precisa influenciar o resultado em geradores eletrônicos de números aleatórios. No terceiro tipo, SH tentaria acelerar o despertar de ratos de laboratório anestesiados, ou ainda influenciar outras atividades de seres vivos (descritas em cada tópico).

PRF

Em 1971, em uma série de quatro testes com dados. Para o total de 14.040 ensaios, SH obteve 2.701 acertos, um valor acima do esperado por acaso em chances de um quatrilhão para um.

Também foram conduzidos, nesta época, testes em que SH tentaria influenciar o comportamento de seres vivos. Em um deles, ele tentaria, à distância (de outra sala) influenciar a velocidade de nado de um peixinho dourado. Em outro experimento, SH tentaria influenciar o metabolismo de culturas microbacterianas. Ambos estudos resultaram não significativos. Outro experimento, SH procuraria influenciar o desempenho de adivinhação de outra colega, através de meditação e outras técnicas. Os testes com intenção ativa resultaram insignificantes, mas no terceiro teste, qando SH apenas meditaria sem pensar na pessoa-alvo, esta obteve um resultado significativamente menor de acertos, em uma chance de 58 para um de ocorrer por mero acaso.

FRNM

Em testes realizados por um dos pioneiros no uso de geradores de eventos aleatórios, Helmut Schmidt, SH parece ter influenciado a máquina a marcar 236 cliques de um tipo, do total de 425, valor que excedeu o acaso em uma chance estimada de 110 contra um. Outro teste ligeiramente diferente resultou em 218 de 407, uma chance em 12 de acontecer por acaso. Combinando-se ambos os testes, tem-se uma chance em 330 de que o resultado tenha ocorrido por mero acaso.

Outro estudo promissor desenvolvido na FRNM envolvia SH e outros médiuns na tentativa de influenciarem a recuperação de ratos anestesiados. No primeiro estudo, os ratos que receberam a “mentalização” dos médiuns acordaram da anestesia em média 5,07 segundos mais de pressa do que os ratos de controle, numa frequência cuja chance de ocorrer por acaso é de uma em 500 milhões. A pontuação de SH em específico também foi positiva, cuja chance menor do que um contra 1.000 de ocorrer por acaso. Em uma replicação do estudo, por outro pesquisador, SH obteve resultados semelhantes, fazendo os ratos acordaram em uma média de 5,52 segundos antes dos ratos de controle, em uma chance de 28 contra um de ocorrer por acaso.

Estudos da Atividade Cerebral de SH

laurentian university logo

Laurentian Univ.

Em alguns dos estudos supracitados, SH tinha seu cérebro conectado a eletrodos para a mensuração das ondas cerebrais (eletroencefalografia ou EEG). Em linhas gerais, detectou-se que, durante os exercícios bem-sucedidos, SH apresentava uma frequência de ondas alfa (8-12 Hertz) maior do que nos exercícios onde pontuava segundo o esperado pelo acaso, o nos momentos em que SH apenas repousava. Também percebeu-se que a voltagem das ondas alfa e theta era mais alta nos acertos do que em tentativas erradas ou momentos de relaxamento.

Em comparação com bancos de dados de ondas cerebrais de pessoas “normais” ou medianas, SH tinha um padrão de ondas reduzido nos lobos occipital, temporal e frontal (especialmente nos dois últimos). Estudos posteriores feitos através de tomografia computadorizada chegaram a conclusões semelhantes, de maneira mais detalhada e precisa. Além disso, constatou-se que SH tinha uma sensibilidade tátil maior, que normalmente está associada à região occipital-parietal do cérebro.


Última atualização: 13 out 2016

Notas

  1. WILLIAMS, B. J. (2014). Empirical Examinations of the Reported Abilities of a Psychic Claimant. Evidence for Psi: Thirteen Empirical Research Reports, 102. Link para capítulo original em Inglês e a tradução livre para o Português podem ser encontradas a partir do website http://obraspsicografadas.org/2016/sean-harribance-psiquico-excepcional-2014-por-bryan-j-williams/
  2. Fonte: SHIPR – Sean Harribance Institute for Parapsychology Research. Disponível em: http://www.seanharribance.com/about-shipr/the-psychic. Acessado em 04 ago. 2016.
  3. Posteriormente redenominada para Rhine Research Center.
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