Guia do Analista

Como oferecer o Espaço de Elaboração aos seus pacientes

Clínica Assíncrona · ArquivoPsi

1. Para quem oferecer

Nem todo paciente é candidato — e essa seleção é um ato clínico seu. O serviço costuma funcionar bem para pacientes que já têm vínculo estabelecido, que ficam com material "transbordando" entre as sessões, que escrevem com alguma facilidade, ou cuja frequência de sessões é menor do que a demanda deles.

Avalie com reserva casos em risco, quadros agudos, ou pacientes para quem a escrita assíncrona possa funcionar como evitação do encontro presencial. Em caso de dúvida, não ofereça — ou ofereça por um mês, a título de experiência, e avalie o efeito na transferência.

2. Como apresentar (sugestão de fala)

"Tenho oferecido a alguns pacientes um espaço de elaboração entre as nossas sessões. Funciona assim: você recebe um link meu e, quando algo acontecer que você queira me trazer, escreve lá com calma. Algumas perguntas vão te ajudar a detalhar o relato — o que aconteceu, o que você sentiu, o que fez. Ninguém além de mim lê isso, e ninguém além de mim te responde: alguns dias depois, você recebe uma devolutiva escrita, minha."

"Não substitui as sessões — é um trabalho a mais, entre elas. O valor é de R$ ___ por mês, com até 4 elaborações. Quer experimentar por um mês?"

Três pontos que valem sempre estar na apresentação: quem lê e responde é você (não uma máquina); não substitui a sessão; e o combinado de prazo da devolutiva (48–72h úteis é uma boa referência).

3. Quanto cobrar

Referência simples: entre 30% e 60% do valor de uma sessão sua, por mês. Quem cobra R$ 150/sessão pode cobrar R$ 50–90/mês; quem cobra R$ 300, R$ 100–180/mês. O que o paciente paga não é a plataforma — é a sua leitura e a sua devolutiva escrita, quatro vezes por mês. Precifique o seu trabalho, não a ferramenta.

Cobre direto do paciente, pelo seu meio habitual (Pix, junto com a sessão, como preferir). A plataforma não intermedia esse pagamento.

4. O ritmo do ciclo

O sistema trava novas elaborações até você emitir a devolutiva — isso protege o material e institui um ritmo: relato → sua leitura → devolutiva → novo relato. Trate o download e a devolutiva como compromisso de agenda (um horário fixo na semana para as devolutivas funciona bem). O painel mostra há quantos dias cada elaboração aguarda.

⚠️ As elaborações não acumulam

Cada paciente tem direito a até 4 elaborações por mês — esse limite renova na data de renovação da sua assinatura e não acumula. Elaborações não utilizadas num mês não são transferidas para o mês seguinte. O contador zera automaticamente na renovação, independente de quantas foram usadas.

O ciclo no painel funciona assim:

  1. O paciente elabora pelo link e conclui o envio.
  2. O painel mostra "Elaboração pronta" — você clica em Baixar elaboração.
  3. O slot muda para "Aguardando devolutiva" — o paciente ainda não pode elaborar novamente.
  4. Você abre a página de leitura, carrega o arquivo, escreve a devolutiva e clica em Salvar devolutiva.
  5. O slot volta para "Disponível" — o paciente pode iniciar uma nova elaboração.

5. O consentimento do paciente

Antes do primeiro uso, colha o aceite do paciente — verbal registrado em prontuário, ou escrito. Pontos que o consentimento deve cobrir:

(a) o espaço usa perguntas automatizadas de esclarecimento, mas toda leitura e resposta clínica é sua; (b) o relato fica no sistema apenas até você baixá-lo, e o histórico é guardado por você, sob seu sigilo profissional, como parte do prontuário; (c) o espaço não é canal de urgência — em crise, o paciente deve procurar você diretamente ou os serviços de emergência (CVV 188 / SAMU 192); (d) o valor e a forma de pagamento combinados; (e) qualquer uma das partes pode encerrar o uso a qualquer momento, sem prejuízo do tratamento.

6. Guarda dos arquivos

O arquivo cumulativo de cada paciente é prontuário: guarde-o como guarda seus registros clínicos (pasta criptografada, drive pessoal com autenticação — e backup). Mantenha um arquivo por paciente, sempre o mais recente; cada novo download do histórico atualizado já contém tudo. Nomeie os slots com iniciais ou apelidos, nunca nome completo.

Na página de leitura, ao carregar um arquivo de um paciente diferente do esperado, o sistema exibirá um aviso — verifique sempre se carregou o arquivo correto antes de escrever a devolutiva.

7. Os três documentos Word

A página de leitura gera três documentos diferentes, cada um com uma finalidade específica. Nenhum deles é enviado automaticamente — você baixa e encaminha pelo canal que preferir.

Word 1 — Elaboração

Contém o diálogo completo entre o paciente e o assistente de esclarecimento, o resumo gerado automaticamente ao final, a correção do paciente (se houver), e linhas em branco para você escrever ou digitar a devolutiva. É o seu documento de trabalho — use-o para a leitura clínica e para redigir a devolutiva antes de registrá-la no sistema.

Word 2 — Estudo + IA

Inclui tudo do Word 1, mais uma análise gerada pela IA com aspectos clínicos que merecem atenção e sugestão de encaminhamento — incluindo, quando pertinente, indicação de qual módulo do ArquivoPsi pode aprofundar o caso.

Como usar: ao clicar no botão, aguarde — a IA leva alguns segundos para formular a análise. Quando o botão voltar ao normal, clique novamente para baixar o documento. É material de estudo exclusivo seu — não deve ser entregue ao paciente.

Word 3 — Devolutiva

Contém apenas o timbre (seu nome e registro, ou a imagem de timbre que você carregou), uma referência ao relato do paciente (o resumo, para ele saber a que situação a devolutiva se refere) e o texto da devolutiva que você escreveu. É o documento para o paciente — envie por e-mail, WhatsApp ou imprima.

⚠️ Sobre páginas em branco nos documentos

Os arquivos Word podem conter seções ou páginas em branco entre os blocos de conteúdo, dependendo da versão do Word ou do leitor de PDF utilizado. Verifique e ajuste quando necessário antes de imprimir ou enviar ao paciente — é simples de corrigir deletando as páginas extras diretamente no Word.

8. Timbre nos documentos

Na página de leitura, antes de gerar os documentos, você pode carregar uma imagem do seu timbre profissional (PNG ou JPG). Ela substituirá o cabeçalho tipográfico padrão (nome + registro) nos três documentos Word.

O timbre não é salvo — você carrega a cada sessão de trabalho. Isso garante flexibilidade: troque o timbre quando quiser, sem configuração prévia.

Se não carregar nenhuma imagem, os documentos usarão o nome e registro que você preencheu nos campos da página de leitura. Esses dados ficam salvos no seu navegador e são preenchidos automaticamente nas próximas sessões.

9. Alertas de risco — dois níveis

O sistema monitora automaticamente o conteúdo das elaborações e distingue dois níveis de risco, com respostas diferentes para cada um.

⚠️ Risco — sinal de atenção

Ativado quando o paciente expressa sofrimento intenso, ideação passiva ou linguagem que sugere risco ("não aguento mais", "acabar com tudo", "não quero continuar"). A elaboração continua normalmente. O CVV aparece na tela do paciente como recurso de apoio. Você recebe o badge ⚠️ no painel.

🚨 Risco ativo — intenção explícita

Ativado quando o paciente expressa intenção imediata e explícita ("quero me matar agora", "vou dar fim na minha vida"). A elaboração é encerrada imediatamente e o material até ali é enviado a você. O CVV aparece com destaque na tela do paciente. Você recebe o badge 🚨 RISCO ATIVO no painel — diferente do ⚠️ para que você saiba distinguir os dois casos.

Importante para a sua prática

Esses alertas existem porque o tipo de linguagem que os ativa é exatamente o que você poderia ouvir diretamente de um paciente numa sessão — e que exige atenção clínica. O sistema apenas traz essa informação até você de forma organizada. A decisão de intervir, como intervir, e quando intervir é inteiramente sua.

Não informe ao paciente sobre a existência desses níveis de alerta. Esse conhecimento pode ser usado para chamar atenção ou testar o sistema, desvirtuando o propósito do espaço e dificultando a sua leitura clínica do material.

Seu paciente chega mais elaborado. Você intervém onde só você pode.

A IA não interpreta o paciente. Ela ajuda o paciente a se fazer compreender — por você.